Amado(a) Irmão(a),

Há duas cartas temos feito um estudo sobre quando o povo de Israel deixou o Egito para ir à Terra Prometida. Vimos que, por causa do procedimento do povo, o primeiro grupo não pode entrar na Terra; o segundo grupo teve que esperar por quarenta anos para se apossar dessa herança: tiveram que mudar inteiramente o modo de pensar e confiar em Deus.

É bom atentar que somos o que pensamos e que o tipo de vida que levamos é decorrente disso. Dessa forma, por pensarmos de maneira errada, a tendência é acharmos que Deus não quer nos abençoar ou que somos obrigados a carregar fardos porque é o nosso “destino”. As pessoas dizem: “Ah, a vida é assim mesmo”, como se tivessem que aceitar passivamente o que é apresentado, sem poder mudar o curso de suas próprias vidas.

Se você é do tipo de pessoa que recebe ensinos e os pratica, a sua mente, dia após dia, vai sendo transformada por aprender a viver na Palavra de Deus. Por muitas vezes, quando comecei a receber esses ensinos, eu me sentia tão longe da Palavra, parecia que nunca ia chegar naquele lugar de fé. A verdade é que eu era como o povo que saiu do Egito. Mas a prática da Palavra, com perseverança, foi modificando cada área da minha vida, que continua sendo ajustada por meio dela. Saiba que tudo é possível àquele que crê, e não há situação na vida que não possa ser mudada. As mudanças só não acontecem por causa do modo errado de pensar, ou seja, quando não pensamos à luz da Palavra de Deus.

Devemos estar muito atentos aos enganos de Satanás. Ele age em nossas mentes de maneiras diversas, e é seu intuito tirar a nossa vontade de orar; ler a Bíblia torna-se algo muito difícil, achar um tempo para sentar e buscar comunhão com Deus a sós fica cada vez mais raro. Efésios 5:14 diz:

[…] Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.

O Senhor está pronto para se mover em sua vida. Tome uma atitude e busque estar com Deus em todos os momentos de sua vida.

Vamos voltar um pouco à história do povo de Israel, que saiu do Egito, perseguido pelos soldados de Faraó. Lembrem-se de que o Faraó e seu exército foram destruídos; o Senhor abriu o mar para seu povo passar. Logo na sequência, Deus orienta Moisés a escolher um representante de cada uma das doze tribos para espiar a Terra Prometida. E Moisés assim o fez. Quando os espias voltaram, eles relataram que a Terra era boa, mas não seria possível possui-la por estar ocupada por gigantes. Esqueceram-se rapidamente dos milagres que Deus acabara de fazer. A reclamação foi excessiva contra Deus e contra Moisés.

Vejamos o que Deus fala a Moisés, em Números 14:29-33, com relação a essa situação lastimável:

Neste deserto, cairá o vosso cadáver, como também todos os que de vós foram contados segundo o censo, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes; não entrareis na terra a respeito da qual jurei que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. Mas os vossos filhos, de que dizeis: Por presa serão, farei entrar nela; e eles conhecerão a terra que vós desprezastes. Porém, quanto a vós outros, o vosso cadáver cairá neste deserto. Vossos filhos serão pastores neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que o vosso cadáver se consuma neste deserto.

Foram duras as palavras de Deus para eles. Entretanto, vejamos o comportamento dessas mesmas pessoas nos versículos seguintes, em Números 14:39-45:

            Falou todas estas palavras a todos os filhos de Israel, e o povo se contristou muito. Levantaram–se pela manhã de madrugada e subiram ao cimo do monte, dizendo: Eis-nos aqui e subiremos ao lugar que o SENHOR tem prometido, porquanto havemos pecado. Porém Moisés respondeu: Por que transgredis o mandado do SENHOR? Pois isso não prosperará. Não subais, pois o SENHOR não está no meio de vós, para que não sejais feridos diante dos vossos inimigos. Porque os amalequitas e os cananeus ali estão diante de vós, e caireis à espada; pois, uma vez que vos desviastes do SENHOR, o SENHOR não será convosco. Contudo, temerariamente, tentaram subir ao cimo do monte, mas a arca da Aliança do SENHOR e Moisés não se apartaram do meio do arraial. Então, desceram os amalequitas e os cananeus que habitavam na montanha e os feriram, derrotando-os até Horma.

Se você ler os versículos anteriores, você verá que eles pegaram em pedras para atirar em Moisés, Arão, Josué e Calebe. O povo que atravessou o mar com vitória queria voltar para o Egito e chorava pela situação. Pois bem, após Moisés informar as duras palavras do Senhor, essas mesmas pessoas que só reclamavam, de repente, levantaram-se e quiseram tomar posse da Terra. Fico imaginando que eu perguntaria: “Ei, gente, o que há de errado com vocês? Uma hora se enfurecem, esbravejam e vão contra o que Deus fala, recusando-se a crer; de repente mudam de ideia e ficam animados?”. Meu irmão, procure entender como agem as emoções quando não são controladas pela Palavra de Deus: se inconstantes e sem direcionamento divino, nos levam à ruína.

Pois bem, eles se levantaram bem cedo naquele dia e foram para o monte tomar posse da Terra Prometida. Moisés os advertiu e disse que era arriscado. Contudo, não deram ouvidos a Moisés, porque pensaram: “Temos a promessa de Deus, Ele é fiel e Nele podemos confiar”. Só que a Palavra não se tornou real para eles. O que aconteceu? Muitos morreram no combate. Eram tantas pessoas; com certeza pensaram que podiam confiar em Deus.

Mas me diga uma coisa: isso não acontece com muitos ainda hoje? Eles dizem: “Eu sei, Deus, que Você me chamou para ser evangelista (ou pastor, ou presbítero etc.)”, mas só vemos falhas em cima de falhas na vida deles. O que acontece? Imagine que triste… as pessoas em desespero, indagando: “Meu Deus, estou perdendo tudo, mas você prometeu, você me chamou… O que está acontecendo?”.

Veja bem, quatrocentos anos antes desses acontecimentos que estamos vendo no livro de Números, Deus havia falado com Abraão sobre a Aliança. Por meio dessa tradição, o povo sabia da Aliança e das Promessas feitas, portanto, esperavam que ela se realizasse. Mas, naquele momento, estavam em frente à Terra  e não podiam tomar posse dela. Vamos analisar os motivos.

O primeiro empecilho foi o MEDO. Quando Deus mandou os espias verem como era a Terra Prometida, se todos tivessem o mesmo relatório, mostrando confiança no Senhor, teriam entrado de imediato e lá estariam morando. Mas o relato foi tão grave que afetou a congregação toda, que acabou morrendo lá mesmo. Em vez de falarem como Josué e Calebe, espalharam a praga do medo no meio do povo. Pense nisso: eles estavam com medo do inimigo, mas não tiveram medo de ir contra a Unção de Deus!

Saiba que Satanás só consegue parar os que têm medo. Se Deus te chamar para fazer algo, a última coisa que você deve ter é medo: é assim que Satanás controla os ministérios. O medo tira a direção de Deus. As pessoas não chegam nem a dar o primeiro passo por pensarem que não estão aptas ou capacitadas.

Imagine que esse povo ficou quarenta anos no deserto e se acostumou com aquela “vidinha”. Sabe aquelas pessoas apavoradas, traumatizadas com a violência na cidade grande, e que não saem mais de casa? Foi isso que aconteceu com aquele povo no deserto; cansaram-se de mudar de um lado para outro e o medo se apoderou de suas mentes de tal maneira que se tornaram confortáveis em seu desconforto. É como se eles estivessem prisioneiros no deserto; prisioneiros de suas mentes, sem ação, sem progresso. Não perceberam que eram livres.

O segundo empecilho foi o TEMPO DE DEUS (a hora certa). Vejamos novamente Números 14:40-45:

Levantaram-se pela manhã de madrugada e subiram ao cimo do monte, dizendo: Eis-nos aqui e subiremos ao lugar que o SENHOR tem prometido porquanto havemos pecado. Porém Moisés respondeu: Por que transgredis o mandado do SENHOR? Por isso não prosperará. Não subais, pois o SENHOR NÃO ESTÁ no meio de vós, para que não sejais feridos diante dos vossos inimigos. Porque os amalequitas e os cananeus ali estão diante de vós, e caireis à espada; pois, uma vez que vos desviastes do SENHOR, o SENHOR não será convosco. Contudo, temerariamente, tentaram subir ao cimo do monte, mas a arca da Aliança do SENHOR e Moisés não se apartaram do meio do arraial (Deus e Moisés não foram com eles). Então, desceram os amalequitas e os cananeus que habitavam na montanha e os feriram, derrotando-os até Horma.

Perceba que esse povo fez exatamente o que Deus quis, mas não no tempo Dele. O “tempo” estava errado, estavam na hora errada. O povo deveria ter invadido e tomado posse da Terra, mas não naquela hora: perderam o tempo de Deus.

Para entendermos o tempo de Deus, podemos aprender com Jesus, que sempre teve a direção da hora certa para agir. Veja João 11:1-8:

Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta. Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem ama. Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado. Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava. Depois, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judeia. Disseram-lhe os discípulos: Mestre, ainda agora os judeus procuram apedrejar-te, e voltas para lá?

Os discípulos não entenderam a atitude de Jesus, que demorou dois dias para ir ver o amigo doente, pois O viram sempre atender aos pedidos de imediato. Aos olhos dos discípulos, a hora já tinha passado, até mesmo porque os judeus queriam apedrejá-Lo na Judeia. Mas para Jesus era a hora certa, Ele sabia como tudo ia acontecer. Imagine que certa vez Jesus andou sobre as águas para ajudar os discípulos: Ele sabia o momento certo de agir.

Quanto ao povo de Israel, eles decidiram entrar na Terra mesmo contra os conselhos de Moisés, que disse que aquele não era o momento de agir. Precisamos trazer essa visão para nossa vida nos dias de hoje. A hora certa é o tempo de Deus.

Hoje podemos saber o tempo de Deus se ficarmos na Presença Dele. É preciso estar na Presença do Instrutor para receber direção e conseguir agir no momento exato. Se estou seguindo Deus, ou seja, se Ele está à minha frente, eu sei os passos que devo dar e qual direção seguir. Mas só adquirimos esta condição passando tempo orando em línguas. Creio que muitas pessoas que não foram bem sucedidas em seus ministérios estavam fora do tempo de Deus, por não saberem ouvir a Sua voz: acabaram seguindo seus sentimentos e emoções vindas dos seus próprios pensamentos.

O terceiro empecilho foi NÃO TER A PRESENÇA DE DEUS (unção). Você leu que quando o povo foi atacar o inimigo, a arca não foi com eles. Por isso, Moisés disse: “[…] o Senhor não será convosco”. Veja, nós somos muito tentados a fazer coisas com nossas próprias forças e é assim que somos impedidos de tomar posse de tudo o que Deus tem prometido para nós.

Há pessoas, por exemplo, que começam igreja com suas próprias forças (e digo que até terão algum sucesso), mas não pense que só porque uma igreja tem dez mil membros está no sucesso de Deus: nem sempre isso é verdade! Naquela época, as pessoas tinham a Palavra de Deus, conheciam as promessas, mas usaram-nas com o poder errado: não era o poder de Deus agindo na batalha e, sim, a força humana. Aqueles homens usaram todas as armas que tinham (entenda isso, eles estavam preparados no plano natural); eles tinham as promessas de Deus e por isso pensaram que estava tudo certo. Mas faltava algo importantíssimo e indispensável: a Presença de Deus. O Senhor tinha que estar presente, lutando com eles; por isso o resultado foi a derrota. Atualmente, vemos isso acontecer. Quantos não são os líderes que não se preparam espiritualmente e agem apenas no plano natural?

Então, vejamos como o contrário dessa atitude funcionou gloriosamente. Veja Josué 6:1-4,20:           Ora, Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía, nem entrava. Então, disse o SENHOR a Josué: Olha, entreguei na tua mão Jericó, o seu rei e os seus valentes. Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Sete sacerdotes levarão sete trombetas e chifre de carneiro adiante da arca; no sétimo dia, rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. […] Gritou, pois o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantado grande grito, ruíram as muralhas, e o povo subiu à cidade, cada qual em frente de si, e a tomaram.

O povo se deparou com o exército de Jericó armado até “os dentes”, mas não precisaram usar arma nenhuma: venceram com louvores e adoração ao Senhor. Você entende que seu tempo a sós com Deus, orando em línguas, louvando e adorando ao Senhor, vai trazer mudanças no plano natural, onde tudo parece ser impossível?

Quantas vezes vemos cristãos agindo de boa vontade, mas fora da palavra de Deus? Observe um fato interessante em Atos 19:13-15:

         E alguns judeus, exorcistas ambulantes, tentaram invocar o nome do senhor Jesus sobre possessos de espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. Os que faziam isso eram sete filhos de um judeu chamado Ceva, sumo sacerdote. Mas o espírito maligno lhes respondeu: Conheço a Jesus e sei quem é Paulo: mas vós, quem sois?

Esses eram os filhos do sumo sacerdote. Veja, no versículo 16, o resultado de agir sem a presença de Deus:

         E o possesso do espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa.

            Perceba que os filhos do sumo sacerdote tinham uma boa intenção: queriam ajudar alguém em Nome de Jesus. Entretanto, pensaram que por serem filhos de um sumo sacerdote teriam automaticamente a unção para expelir demônios. Atualmente, muitos cristãos agem da mesmíssima forma.  E mesmo que tenham o chamado de Deus, fazem tudo com a própria força humana.

Portanto, o que quero lhe ensinar nesta carta pode ser resumido desta forma:

 1) Não podemos deixar o medo nos dominar, pois se ouvirmos a voz de Deus, teremos a direção     e saberemos como, quando e onde fazer a vontade Dele. E aí sim vamos cumprir tudo o que    Deus nos chamou a fazer: é assim que as promessas Dele são realizadas em nossas vidas.

2) Cuidado com as emoções e a empolgação; não fique fora da visão de Deus. As emoções que vêm dos nossos pensamentos mostram obras boas, mas são baseadas em nossas forças humanas, que nos iludem, fazendo-nos pensar que Deus está conosco, sendo que na verdade Ele não está: faltam o poder e a “unção” Dele.

3) Lembre-se: o medo é um espírito maligno; apoiar-se na força humana e agir fora da visão e do tempo de Deus são enganos de Satanás. Nós temos como armas os princípios da oração e a Palavra de Deus, que nos conduzem em segurança e total benção.

Força e coragem, meu irmão! Busque a Deus, arme-se com a unção Dele e use a autoridade que lhe foi concedida sobre todo o poder do mal. Você verá a glória de Deus no seu dia a dia. Qualquer situação embaraçosa em sua vida pode ser mudada, pois a Palavra de Deus é capaz de mudar o seu modo de pensar.  Busque a transformação da sua mente à luz da Palavra de Deus!

Graça e Paz,

Ana Maria Dias

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