Amado(a) Irmão(a),

Na carta do mês passado, vimos como era a mentalidade do povo hebreu quando saiu do Egito com o objetivo de entrar na Terra Prometida. Aprendemos que uma mente escrava não é capaz de receber nada de Deus. Mas graças a Deus por Cristo Jesus, que nos libertou dessa condição escrava, transportando-nos para o reino do Filho do seu amor.

Vamos relembrar: aquele povo atravessou o Mar Vermelho com os pés enxutos. Ao chegar do outro lado, logo após esse milagre, as pessoas começaram a questionar Deus. Tiveram medo, ficaram contra Moisés, reclamando, querendo voltar para o Egito e continuar na escravidão. Entretanto, vimos que nem por isso Deus os abandonou. Todos os dias o Senhor supria a necessidade daquele povo, com toda provisão e proteção. Eles até mesmo chegaram a ver a terra que iriam possuir. Doze espias foram até ela e voltaram estupefatos, maravilhados. Mas dez deles acharam que seria impossível; não creram no que Deus disse.

Lembre-se que Josué e Calebe foram os únicos espias que creram. Eles esperaram no deserto por quarenta anos até que todos do primeiro grupo, os que não creram, morressem. As gerações seguintes tiveram uma mente renovada para possuir a terra que foi prometida; não foram escravizadas e precisaram mudar a mente e confiar em Deus.

Imagine quanta fé no coração de Calebe! Mesmo tendo de esperar por décadas para ver a Promessa de Deus ser cumprida, não desistiu nem desanimou. Vejamos Josué 14:6-12:

         Chegaram os filhos de Judá a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes o que o SENHOR falou a Moisés, homem de Deus, em Cades-Barneia, a respeito de mim e de ti. Tinha eu quarenta anos quando Moisés, servo do SENHOR, me enviou de Cades-Barneia para espiar a terra; e eu lhe relatei como sentia no coração. Mas meus irmãos que subiram comigo desesperaram o povo; eu, porém, perseverei em seguir o SENHOR, meu Deus. Então, Moisés, naquele dia, jurou dizendo: Certamente, a terra em que puseste o pé será tua e de teus filhos, em herança perpetuamente, pois perseveraste em seguir o SENHOR, meu Deus. Eis, agora, o SENHOR me conservou em vida, como prometeu; quarenta e cinco anos há desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e já agora sou de oitenta e cinco anos. Estou forte ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força naquele dia, tal ainda agora para o combate, tanto para sair a ele como para voltar. Agora, pois, dá-me este monte (Hebrom) que o SENHOR falou naquele dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o SENHOR, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu.

Pois é, Calebe esperou quarenta anos para tomar posse do que já era dele, e foi por isso que Josué lhe deu a herança. Veja que a visão do coração de Calebe era possuir o monte Hebrom, e foi exatamente o que ele recebeu.  Isso é confirmado em Josué 14:13-14:

         Josué o abençoou e deu a Calebe, filho de Jefoné, Hebrom em herança. Portanto, Hebrom passou a ser de Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, em herança até ao dia de hoje, visto que perseverara em seguir o SENHOR, Deus de Israel.

O monte Hebrom é o lugar onde Deus fez a Aliança com Abraão: era o lugar da herança, das bênçãos, da revelação de tudo o que Deus prometera. Lá, naquele lugar, Abraão criou sua família, e assim foi de geração em geração. Pois bem, José, filho de Jacó (portanto, neto de Abraão), cresceu no Egito. Seus irmãos o venderam, ainda muito jovem, a mercadores que o levaram até lá. Mais tarde, ele trouxe sua família lá de Hebrom para o Egito. Deus deu uma profecia que eles seriam escravos no Egito por quatrocentos anos, mas depois seriam libertos e tomariam posse da Terra Prometida. No entanto, o povo, já liberto do Egito, não reconheceu o Monte Hebrom como o local onde a Aliança tinha sido feita.

Como vimos, quando saíram do Egito, atravessaram com êxito o Mar Vermelho. Doze espias foram conhecer a terra que havia sido prometida pelo Senhor. Mas dos doze espias, somente Calebe e Josué ficaram muito animados e creram. Os outros dez estavam descrentes e desanimados e não enxergaram a benção. Josué e Calebe foram contra o relato dos outros; eles testificaram: “Esta terra é boa, sim”.

Calebe entendeu que aquela terra tinha sido o lugar que Deus falara com Abraão; o lugar onde a Aliança fora firmada. Agora, ele a teria como herança: era chegada a hora de herdar tudo o que Deus prometera. Imagine como foi essa espera! Dia após dia no deserto, vendo um por um morrer (até Moisés morreu)… Cada dia era um a menos no calendário para receber a herança. Ele pensava: “Estou perto de receber o que é meu”. Se fizermos uma correlação com a Nova Aliança, o mesmo aconteceu conosco: esperamos Jesus morrer para que pudéssemos tomar posse do que nos foi prometido.

Calebe sabia, dentro dele, que nada ia pará-lo. Josué 14:10-11 diz:

         Eis, agora, o SENHOR, me conservou em vida, como prometeu; quarenta e cinco anos há desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e, já agora, sou de oitenta e cinco anos.  

Essa esperança dentro dele o fez jovem, porque guardou no coração a posse daquele monte, dizendo, com esperança, todos os dias: “aquele monte é meu”. Josué 15:13 diz:
         A Calebe, filho de Jefoné, porém, deu Josué uma parte no meio dos filhos de Judá, segundo lhe ordenara o SENHOR, a saber, Quiriate-Arba, isto é, Hebrom, este Arba era o pai de Anaque.

Veja a parte que coube a Josué! Era o monte que ele tinha visto e que o seu coração havia desejado! Josué e Calebe, quando vieram com o relatório da Terra Prometida, junto com os outros espias, não negaram que lá havia gigantes e que o povo inimigo era forte, mas afirmaram: “Nós podemos porque Deus está conosco!”.

 

Eram muitos os gigantes que lá habitavam. Quatrocentos e cinquenta anos antes desta época, Deus deu aquela terra para Abraão, e durante todos aqueles anos os gigantes foram chegando, entrando e tomando posse da terra; lá se multiplicaram, construíram cidades, adquiriram armas e eram muito maus. Construíram fortalezas ao redor de Hebrom para impedir que Calebe entrasse lá e tomasse posse.

Vejamos, em Josué 14:12, como Calebe reagiu ao saber que gigantes se apossavam da terra que Deus prometeu a ele:

         Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou naquele dia, pois naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o SENHOR, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu.

Observe que Calebe não se impressionou com a ocupação da Terra Prometida, pois cria que Deus estava com ele. Ele simplesmente falou o que Deus prometeu e não ficou sentado na beira do rio Jordão, esperando e pensando: “Ah, se Deus quiser que aquele monte seja meu, Ele mesmo vai tirar os invasores daquela terra”.

Saiba de uma coisa, meu amigo: sem oração, perseverança, confiança e fé, não receberemos o que Ele nos prometeu. Inspire-se no coração de Calebe: foram anos e anos de espera desde o dia em que ouviu a promessa de Deus. Ele viu todas as pessoas que saíram do Egito com ele morrer no deserto, porque estavam todos desencorajados, e não tiveram fé no que Deus prometera, ou seja, não creram na Palavra de Deus.

Claro que não foram dias de glória no deserto. Calebe tinha tudo para desanimar e desistir de esperar, mas, ao contrário, o coração dele nunca foi de desânimo, tristeza, murmuração. Ele não se importou com os gigantes e nem, muito menos, com as fortalezas que eles construíram. Nada lhe trouxe medo, mas sempre confessou, até chegar lá: “Se Deus é por mim, quem será contra mim?”.

Essa história toda representa o que somos hoje em Cristo Jesus: somos herdeiros. Hoje Hebrom não está no plano natural, mas se refere à posse, no espírito, do que recebemos em Cristo Jesus. Vejamos algumas passagens Bíblicas que confirmam isso:

 

  • E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa. (Galátas 3:29)
  • E, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Temos herança com Ele. (Efésios 2:6)
  • Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. (I Pedro 2:24)
  • E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. (Filipenses 4:19)
  • Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. (João 14:27)
  • E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. (Filipenses 4:7)

Todos esses versículos falam de herança. E cabe aqui uma pergunta: Você já está vivendo na herança?  Você está vivendo nas bênçãos de Hebrom?

A esperança que devemos ter no que Deus diz é comparada à confiança que temos quando voltamos para casa, depois do trabalho. No final do dia, você sabe que vai pra casa. Em nenhum momento você duvida disso, pois você tem a chave de sua casa, ela é sua. Então, essa é a mesma confiança que você deve ter em relação à sua herança. Essa foi a fé no coração de Calebe.

E assim deve ser a oração para todas as áreas de sua vida: família, negócios, emprego, saúde. Não importa o que o inimigo diga com seus ataques, tentando te intimidar. Creia e diga: “Se Deus é por mim, quem será contra mim? Eu vou vencer!”.

Vejamos, em Efésios 6:10, o que devemos fazer:

         Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.

As armas que o diabo usa são mentais, muito mais que físicas. Em Hebrom, os inimigos construíram fortalezas; hoje o inimigo constrói essas fortalezas em nossa mente, para não adquirirmos a herança. Ele tem o objetivo de nos trazer medo e nos fazer reclamar, murmurar, perder a fé.

Observe que muitas vezes nem precisamos perguntar para as pessoas como vão as coisas, porque a cara delas já mostra o desânimo, o fracasso e o desgosto. Devemos estar atentos para os enganos do diabo: um desses enganos é a cegueira espiritual, que cria fortalezas na mente.

Segundo a Palavra de Deus, devemos louvar e adorar sempre o Senhor. Não precisamos sentir o que estamos fazendo, mas devemos saber o que estamos fazendo. Calebe pertencia à tribo de Judá, a quem foi dada a herança. Judá, por sua vez, representa os louvores e a adoração. Então, são com essas armas que vamos conseguir conquistar as bênçãos: por meio do louvor e da adoração.

Use um tempo do seu dia para louvar e adorar o Senhor: as fortalezas cairão. Isso vai equilibrar suas emoções. Tudo vai mudar: o seu coração vai mudar, você vai andar em vitória, você vai tomar posse da herança que te pertence, que é Cristo Jesus, o esplendor da Glória!

Não se esqueça de ler a Bíblia. Você pode ler um livro do Novo Testamento, todos os dias, por um mês. Essa leitura deve ser acompanhada da oração em línguas, bem baixinho, enquanto seus olhos vão passando pelas linhas daquele livro. No mês seguinte, passe para outro livro do Novo Testamento e proceda da mesma maneira. Você tem tudo para andar em vitória, porque Jesus te ama!

Comece a passar um tempo com o Pai em oração e você vai ficar mais forte que os gigantes que querem impedir sua vitória.

Graça e Paz, Ana Maria Dias

Print Friendly, PDF & Email