DAVE  ROBERSON

Maio – 2016

Querido Amigo,

 

            Há algo sobre o amor de Deus que é mais forte do que entendemos. Quando eu e você estávamos perdidos do outro lado da morte espiritual, Deus enviou Jesus além daquele vazio pra nos libertar. Não havia garantia de que aceitaríamos o sangue de Seu Filho para nos salvar, mas Deus enviou Jesus mesmo assim. É difícil de compreender o tipo de amor que levaria o Pai a fazer isto por nós enquanto ainda éramos pecadores. A grande misericórdia de Deus conduziu Jesus a morte; então Sua graça nos trouxe para sua família como se nada tivesse acontecido.

Em Jesus, o Pai enviou o melhor que Ele tinha, não poupando nenhum esforço para ver sua alma salva. Mas, agora, deixe-me perguntar isto: As pessoas que estão ao seu redor todos os dias são merecedoras do mesmo amor?

A disposição para machucar ou odiar outra pessoa é uma violação da própria graça pela qual nascemos de novo. Por isto Deus é tão duro quando o assunto é falta de perdão e contenda. Nós não merecíamos o perdão, mesmo assim Jesus morreu por nós. Quando nos recusamos a perdoar outras pessoas porque nos sentimos injustiçados de alguma maneira, estamos na verdade nos recusando a andar segundo nosso espírito nascido de novo, nos recusando a andar em amor.

Mateus 22:35-40 nos traz um maior entendimento do tipo de amor que Deus deseja que andemos e sejamos conformados.

 

E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:

                        Mestre, qual é o grande mandamento na lei?

            E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

            E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

            Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.

 

Jesus disse que o segundo grande mandamento – amar o próximo como a si mesmo – é como o primeiro – amar o Senhor seu Deus com todo seu coração, toda sua alma, e toda sua mente. Em outras palavras, o amor com o qual você ama Deus é o mesmo amor com o qual você ama seu próximo.

Você pode dizer, “Bem, eu amo Deus mas não meu próximo.” Mas isto é impossível porque Jesus disse que é o mesmo amor – o tipo de amor que consome todos aqueles que estão em seu alcance.

A verdade é, se amamos Deus mais do que amamos as pessoas, não temos Seu amor – temos apenas uma dose não saudável de religião! Religião sempre nos dividirá dos outros. Ela nos colocará em um lugar onde estamos certos e todos os outros estão errados, e machucaremos pessoas para provar isto.

Frequentemente queremos operar nos dons poderosos do espírito sem nos preocupar em tratar desta questão do amor. Queremos a glória de sermos usados por Deus sem que tenhamos que nos preocupar pelas pessoas as quais Ele morreu para salvar. Mas não podemos nos desenvolver no amor e no poder de Deus sem permitir que nosso amor pelas pessoas se desenvolva também.

Esta é a mensagem que o Apóstolo Paulo apresenta no livro de 1º Coríntios:

 

E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo.

            Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis

            Porque ainda sois carnais. Pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?

1º Coríntios 3:1-3

 

Paulo disse nesta passagem que não pôde falar com os Cristãos de Corinto como ele falaria com aqueles que fossem espirituais – isto é, aqueles que eram maduros e perspicazes com sua nova natureza. Ele teve que falar com eles como carnais, como a meninos em Cristo (versículo 1). Ainda assim, antes, no primeiro capítulo dessa carta, Paulo disse aos Corintos “nenhum dom vos falta” (1º Coríntios 1:7). Então mesmo sabendo que Paulo revelou que os Corintos possuíssem os dons do Espírito e fossem usados por Deus em seus ministérios, ele ainda era levado a alimentá-los com leite e não com alimento sólido, porque até aquele ponto, eles não eram capazes de receber alimento sólido. Havia algo que estava faltando.

Uma vez alguém me perguntou sobre esses versículos: “Bom, se uma pessoa que se divide contra os outros pode apenas ser alimentada com o leite da Palavra, então quem é capaz de se alimentar do alimento sólido?”

Muitos de nós pensamos que estamos se alimentando do alimento sólido se conhecermos uma grande quantidade da Palavra. Mas a verdade é, nós podemos memorizar a Bíblia inteira e ainda estarmos no leite! Na verdade, o primeiro livro de Coríntios inteiro é escrito para pessoas nesta situação.

Eu conheço pessoas de destaque no ministério de ensino, que ainda estão no leite. Como eu sei disso? Porque eles se dividiram contra outras pessoas que também estavam no leite. Isto é o que Paulo está falando no versículo 3 quando ele diz, Porque ainda sois carnais. Pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?

Agora, alguns podem dizer, “Com certeza Deus não está falando de nós! Afinal, nós temos a revelação! Graças a Deus, estamos no alimento sólido da Palavra!”

Mas olhe de novo as palavras de Paulo no versículo 3: “… andais segundo os homens.” Ele está dizendo que Cristãos que andam nos apetites carnais da carne parecem àqueles tanto dentro como fora da igreja como se não fossem nascidos de novo. Ele também define o que distingue um Cristão no leite: A pessoa que se envolve em inveja, contendas e dissensões. Esta pessoa pode ser capaz de citar todo o Novo Testamento, contudo, se ela usa esse conhecimento para se dividir contra uma outra pessoa, Deus diz que ela ainda está no leite.

Se essas características descrevem este tipo de Cristão, quais são as características do oposto? – maturidade espiritual – Um conhecimento espantoso da Palavra? Uma habilidade para citar longas passagem das Escrituras? Não, nenhuma destas coisas provam que uma pessoa está preparada para o alimento sólido. Mesmo que ela esteja andando em uma medida do poder de Deus – como os Cristãos de Corinto estavam – isto ainda não prova que ela está preparada.

Frequentemente ministros usam o poder de Deus para seu próprio ganho ou glória para o detrimento do Reino. Isto se chama negociar a unção, e eles não estão servindo a Deus de modo algum mas sim a sua própria carne. Eu o asseguro que, pessoas assim não durarão muito tempo no chamado.

Contudo, graças a Deus por homens e mulheres de fé que permitem que raízes de caráter, humildade, e fé em Deus cresçam dentro deles – raízes de onde nascem poderosas árvores de maturidade. Há provas de maturidade dentre os Cristãos, e 1º Coríntios 12 e 13 explica quais são.

Paulo começa em 1º Coríntios 12:1 dizendo, Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Sou feliz por Paulo dizer isto, porque se há alguma área que não quero ser ignorante, é na operação dos dons espirituais de Deus! Então nos versículos 8-10, ele lista os nove dons do Espírito:

 

Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;

E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé, e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;

E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.

 

Adiante, Paulo também lista as oito operações de Deus as quais esses dons espirituais nos autorizam e qualificam para trabalhar: E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres [evangelistas], depois dons de curar [pastores], socorros, governos, variedades de línguas. (1º Coríntios 12:28)

Agora, tudo que Paulo disse até este ponto em relação aos dons espirituais e operações de Deus o levou a dizer, Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente. (1º Coríntios 12:31)

O que Paulo está dizendo aqui? Um caminho mais excelente para fazer o que? Ele está falando sobre maturidade – no amadurecimento do nosso andar com Deus e no permitir quem Ele é viver através de nós. Em essência, Paulo está dizendo que os dons espirituais são bons e necessários no cumprimento do nosso chamado – que devemos até mesmo cobiçá-los como ferramentas na realização do trabalho de Deus em nós e através de nós – mas há um caminho mais excelente do que seriamente cobiçar os melhores dons.

Agora, esta é uma declaração ímpar a se fazer, porque o ato de cobiçar com zelo é uma força muito forte. Na verdade, é tão forte que nos Dez Mandamentos, Deus incluiu o lado negativo de cobiçar como uma das coisas a não se fazer: Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. (Êxodo 20:17). Todavia, Paulo diz que pode nos mostrar um caminho mais excelente do que cobiçar os melhores dons.

Olhando esses versos, precisamos lembrar que quando Paulo escreveu essa carta para a igreja de Corinto, não havia divisões de capítulo. Na verdade, ele nem ao menos troca de assunto entre o último versículo do capítulo 12 e o primeiro versículo do capítulo 13. Então com isto em mente, vamos olhar o que Paulo escreveu:

 

Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente.

            Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade [amor], seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

1º Coríntios 12:31; 13:21

 

Em outras palavras, Paulo está dizendo para procurarmos, cobiçar com zelo o amor de Deus com a mesma tenacidade e desejo intenso com os quais buscaríamos os melhores dons!

No caso de você estar se perguntando quais são os melhores dons: Para você, são aqueles que o qualificam para seu chamado em particular. Se você foi chamado a evangelizar, seu chamado tem que fluir na operação de milagres. Este dom é seu para crescer e fluir – com o Espírito Santo como seu Professor – assim como outros dons que o equipam e o autorizam para seu chamado.

Quando comecei entender cada faceta do meu chamado, cobicei os dons que acompanhavam meu chamado. Costumava cobiçar com zelo os melhores dons – Sabia como jejuar, orar e acabar com Satanás a medida que me colocava firme de pé. Mas perceba de novo o que Paulo disse: E eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente (1º Coríntios 12:31). Eu percebi que o caminho mais excelente para cumprir meu chamado não era buscar os dons; era buscar o amor de Deus.

Paulo está falando sobre o amadurecimento em nosso relacionamento e comunhão com Deus. Veja, os dons que Paulo lista em 1º Coríntios 12:8-10 são bons. Mas se não estivermos crescendo em amor à medida que nos desenvolvemos nestes dons, então somos carnais, até mesmo bebês em Cristo como os cristãos de Corinto, e continuaremos no leite da Palavra.

Ainda assim, do mesmo modo que Paulo escreveu aos Corintos para encorajá-los em um caminho de maturidade, eu também o encorajo a procurar seriamente o amor de Deus em sua vida – mesmo quando isto dói. E o prometo, isto DOERÁ algumas vezes, por causa do processo de mortificação necessário para andar nesse tipo de amor que é difícil de andar na carne. Mesmo assim, é o caminho mais excelente!

Tantas vezes no passado quando outros cometeram injustiças comigo, escolhi me defender e acabei em uma situação pior ainda. Então Deus veio e me mostrou um caminho melhor. Com certeza, foi difícil morrer para a carne e minhas vontades. A cada vez, tive que escolher manter minha boca fechada à medida que deixava a outra pessoa discursar, endoidecer e muitas vezes machucar meu ego. Mas aprendi que deixar as pessoas ir embora sem atacá-las de volta e as perdoar pelas injustiças não significava que elas estavam certas. Significava que eu estava confiando em Deus para que ele tomasse conta da situação e curasse o machucado neles e em mim, nos dando a oportunidade para seguir em frente.

O diabo não amaria nada mais do que manter cristãos presos em contendas um com os outros, mas no que me toca, tenho feito uma firme decisão que nunca deixarei o inimigo ou minha carne me guiar, e nunca pararei de crescer no amor de Deus.

A mesma coisa será uma verdade em sua vida à medida que escolhe o caminho mais excelente. Cada vez que alguém cometer uma injustiça com você ou se sentir ofendido com alguém ou algo, e escolher obedecer sua nova natureza e se render à liderança do Espírito, haverá um processo de mortificação para suportar. Mas, lembre-se, nada é mais forte do que o poder do amor quando este é operado pelo Espírito de Deus e Sua Palavra! Na verdade, é só depois de alcançarmos um certo ponto no amor de Deus que podemos começar a andar em paz.

Enquanto continuarmos a nos apegar à capacidade de nos sentir ofendidos, de ofender alguém, ou não liberar perdão, a paz continuará um sonho distante. Podemos nos admirar com os sermões e discursos de outros sobre paz, mas nossa disposição em machucar os outros e receber ofensas nos manterá longe da paz que só Jesus dá.

Então vamos voltar à nossa questão original: Quem é que está no alimento sólido da Palavra? É a pessoa a qual é madura no conhecimento e amor de Deus – uma pessoa que não se envolve com inveja, contendas e divisões, mas alguém que o Senhor confia junto com as pessoas por quem Ele morreu para salvar – uma pessoa que colabora com o Espírito Santo para promover o Reino do Pai na terra.

O Reino de Deus manifesto na terra é a razão pela qual o Corpo de Cristo, com chamados e dons diversos, está aqui. É através de nós andando em maturidade, comunhão e união com o Pai que o precioso fruto da terra é colhido. E este fruto é um mundo cheio de pessoas perdidas e machucadas.

Paulo diz isto desta forma em Efésios 4:13-16 quando explica o propósito dos dons e ministérios de Deus:

 

 

Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.

Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.

Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.

Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.

 

            Hoje é uma oportunidade perfeita para com zelo procurarmos um andar diário no amor – de perdão, maturidade, e paz. Não há maneira melhor de vermos o poder de Deus demonstrado através de nossas vidas.

Amar e perdoar é difícil na carne, mas insisto que ande este caminho estreito de obediência de qualquer modo. Você pode escolher submeter hoje sua alma a Deus e permiti-Lo fazer este trabalho importante no interior de você. Peça a Ele que o ajude a mortificar a carne e olhar as pessoas através de Seus olhos, porque a sua batalha é por conhecer Deus como seu Pai e colaborar com Ele para que os planos d’Ele sejam cumpridos em sua vida.

A próxima vez que as injustiças das pessoas fizerem com que muralhas cresçam em seu interior e sua vontade for fazer algo errado, escolha o amor ao invés disto. Quando alguém disser algo feio para sua pessoa e você pensar em oito outras coisas feias para dizer de volta, escolha o caminho mais excelente. Neste momento, estará andando em vitória sobre todo poder demoníaco tentando o dominar e desviá-lo dos assuntos do Pai, e a unção do Espírito Santo limpará e avivará sua mente, o ajudando a saber exatamente como responder em amor.

Só há um modo de andar no amor de Deus – e é através de Sua graça e força. Comece hoje perdoando qualquer um que tenha o ofendido ou quem você ainda não tenha liberado perdão de coração. Você pode pedir e receber de Deus a sabedoria necessária para dar um ponto final em qualquer situação de contenda e divisão em sua vida. Lembre-se, perdão não é sobre quem está certo ou errado. É sobre escolher obedecer Deus e amar como Ele ama.

Cobice com zelo o caminho mais excelente e obedeça a nova natureza dentro de você. Essa natureza de Amor é quem você realmente é.

 

 Seu colaborador,

Dave Roberson

Print Friendly, PDF & Email