DAVE ROBERSON

Março – 2013

Querido Amigo, 

            Quando a maioria dos cristãos fala sobre as “obras da carne”, eles geralmente estão se referindo a desejos sexuais, fornicação, adultério, etc. – aqueles pecados que são considerados mais “graves”.

Contudo, existe um outro lado da carne que é igualmente perigoso, apesar de não ser tão óbvio. Trata-se da nossa vontade de justificar ou proteger as áreas da carne em nossa vida que não estamos dispostos a mudar.

Veja, quando alguém toca em uma área de nossa vida com a qual não estamos prontos para lidar, como a indiferença, tornamo-nos muito defensivos ou evasivos. As desculpas são várias: “Eu estava ocupado”, “Não tive tempo”, “Tinha um compromisso”, “Fico muito cansado à noite e não consigo orar”.

Quando penso no meu próprio andar com Deus, ainda me lembro dos dias em que eu sabia muito bem como arranjar desculpas para as fraquezas da minha vida que eu não queria mudar. Perdi tanto tempo tentando me justificar diante de homens apenas para proteger as fraquezas que precisavam de mudança. Espero que esta carta de ensino ajude você ou alguém que você ama a não cometer o mesmo erro.

Quando entrei no ministério tempo integral, eu tinha bastante tempo livre. Então, passei a maior parte daqueles primeiros anos em oração, principalmente orando em línguas para minha edificação pessoal. Como eu não sabia muito sobre oração na época, não fazia ideia de que parte do processo de edificação se manifestaria na operação do plano de Deus para minha vida. Consequentemente, de vez em quando Deus permitia que eu tivesse pequenas visões no meu espírito sobre o futuro, mostrando-me o Seu plano para minha vida.

Durante uma dessas visões, vi um grande edifício circular cheio de pessoas sendo salvas e curadas. Você pode imaginar como me senti quando, seis anos depois, obedeci a Deus e me mudei para Tulsa, Oklahoma, onde vi esse mesmo edifício circular – um centro de eventos perto de um campus escolar. Parecia que de alguma forma o plano de Deus estava se manifestando.

Então, em outubro de 1992, recebi uma visita inesperada de Deus com relação às eleições presidenciais daquele ano e a posição moral dos Estados Unidos. Deus me mostrou que a Igreja como um todo estava perdendo seus valores morais da verdadeira justiça e santidade. Em vez de viver uma vida santa diante de Deus, a Igreja havia começado a buscar razões na Palavra para justificar suas vidas promíscuas, pervertendo o dom da graça de Deus em uma cobertura para o pecado, sem aceitarem “condenação” para suas ações ímpias.

Na realidade, em vez de condenação, a palavra responsabilidade é mais apropriada nesse caso, pois muitos cristãos acreditam que a “graça” os deixa livres da responsabilidade sobre suas ações depois que nascem de novo.

Foi durante essa visitação que Deus também me fez tomar responsabilidade por certas áreas de minha vida que precisavam mudar caso eu quisesse mesmo cumprir Seu chamado. É claro que não estou falando de pecados óbvios, mas, sim, sobre aquelas “pequenas” áreas da minha vida que eu queria proteger em vez de mudar. Contudo, a palavra de Deus nos alerta a não deixar de prestar atenção a essas áreas, pois são “as raposinhas que estragam as vinhas”(Cantares de Salomão 2:15).

Nessa mesma época em que recebi a visitação sobre as eleições presidenciais, eu estava dirigindo perto de um grande centro de eventos que estava tão lotado, devido à presença de um evangelista, que foi necessário bloquear a entrada de 3 mil pessoas. Quando preguei no exterior, vi 10 mil ministros – batistas, católicos, metodistas, etc. – receberem o batismo no Espírito Santo durante um período de dois anos. Contudo, nos Estados Unidos, nunca vi nada como o que estava acontecendo naquele centro de eventos. Isso me fez pensar sobre o rumo do meu ministério.

Imediatamente comecei a inventar desculpas pelas diferenças entre o meu ministério e o daquele evangelista e  por que o meu ministério não era tão avançado quanto o dele e por que eu não estava colhendo a mesma quantidade de almas que ele.

Uma das desculpas que usei para me justificar foi, “Deus, eu comecei um pouco tarde. Só entrei no ministério tempo integral e comecei a pregar aos trinta e um anos! Daqui uns anos Você vai ver…”. E o que Deus fez nos momentos seguintes mudou a minha vida.

Embora aquele evangelista tivesse sido salvo quando era mais jovem do que eu, seus pais eram contra o cristianismo, então tentaram forçá-lo a negar Cristo, excluindo-o das refeições em família e deixando-o preso em seu quarto.

Bem na hora em que eu estava usando a desculpa de ter começado o ministério um pouco tarde, Deus interveio em meu pensamento e usou a vida daquele evangelista para me ensinar uma lição. Ele disse, “Você não começou tarde. Você se afastou de Mim quando tinha dezessete anos, pois preferiu ir às festas e servir ao diabo em vez de servir a Mim. Então, você esperou fazer vinte e dois anos para se entregar a Mim novamente. Enquanto isso, o Meu servo (o evangelista que estava pregando naquele centro de eventos) permaneceu fiel a mim em meio à perseguição de sua família e em meio ao pecado. A perseguição dele foi maior do que a sua, mas Ele não se afastou de Mim – você se afastou de mim. Você teve a mesma oportunidade de começar o ministério enquanto jovem”.

Eu chorei. Ainda me lembro dos meus anos de adolescente quando nasci de novo como se fosse ontem. Contudo, Deus não trouxe correção para me condenar, mas para me dar a força que eu precisava para mudar. Enquanto eu continuasse dando desculpas ou me justificando pelas coisas erradas em minha vida, eu estaria impedindo o poder de Deus de me libertar. Enquanto eu me desculpasse por me entregar às coisas das quais eu já estava livre, eu não estaria tomando responsabilidade para mudar.

Foi então que entendi o que Deus estava tentando me dizer. Eu não precisava ter me afastado Dele quando tinha dezessete anos. A escolha foi minha e enquanto eu usasse desculpas para justificar minhas ações, eu também encontraria um jeito de justificar outras coisas que Deus queria mudar em minha vida.

Comecei a pensar sobre todas as desculpas “legítimas” que geralmente usamos para justificar nossas vidas sem oração e sem poder – e a maioria só serve para criar uma aparência de espiritualidade aos olhos dos outros.

Deus me fez entender que muitas pessoas ainda não aprenderam a liberar o Seu poder em suas vidas, pois são fracos em certas áreas. Elas acabam caindo repetidas vezes na mesma armadilha, pois continuam justificando as suas áreas de fracasso e, com isso, acabam impedindo o Seu poder de administrar a graça necessária para a mudança.

Vejamos o que a confissão de nossos pecados realmente significa; quando Deus não só nos perdoa, mas também nos LAVA de toda injustiça. Primeira João 2:1 diz: Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Note as instruções que o apóstolo João está dando a nós crentes. Ele está dizendo, “eu escrevo essas coisas para que vocês NÃO PEQUEM”. Obviamente, o primeiro capítulo de Primeira João contém tudo o que precisamos saber para evitarmos pecar. João não teria dito o que está escrito nesse versículo, se não houvesse pessoas naquela época – assim como agora – que estavam pecando e se enganando a acreditar que não estavam, chamando as trevas de luz e alegando que estavam em comunhão com Deus, quando na realidade não estavam.

O primeiro capítulo de primeira João nos diz como evitarmos ser enganados pelo pecado.

                     Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em  nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. 1 João 1:6-9

            Quando nasci de novo aos dezessete anos, recebi uma nova natureza dentro do meu espírito que imediatamente começou a me alertar que pecar era errado. Apenas por causa da nova natureza, a minha consciência sabia que pecar era errado. Ninguém precisava me dizer.

Quando olho para trás, sei que quando me afastei do Senhor logo após nascer de novo, ninguém me forçou. A escolha foi minha. Mais tarde, quando tinha trinta e um anos e entrei no ministério tempo integral, queria inventar desculpas por ter desviado naquela época: “A tentação foi maior que eu pudesse suportar” e “eu não conhecia a Palavra muito bem”. Mas na verdade, apenas por causa da nova natureza, eu sabia que tinha sido a minha própria escolha. A carne não me forçou a pecar. As pessoas não me forçaram. APENAS EU PODIA ME FAZER PECAR. A ESCOLHA ERA MINHA.

De uma forma sutil, eu estava chamando as trevas de luz. Eu estava querendo me justificar por ter me afastado de Deus aos dezessete anos. Mas Deus estava tentando me mostrar que eu precisava não só confessar  o meu pecado de voltar ao mundo, o que eu fiz prontamente, mas também me arrepender de chamar as trevas de luz ao tentar achar desculpas para o meu pecado!

Quando inventamos desculpas para nossas falhas é como se estivéssemos dizendo que o plano de salvação de Deus não tem o poder suficiente para nos impedir de pecar. No entanto, o verdadeiro problema é que a maioria de nós temos uma atitude – por mais sutil que seja – que justifica, oferece desculpas e se espalha para outras áreas de nossa vida pelas quais não queremos tomar responsabilidade.

Às vezes é muito mais fácil inventar desculpas do que encarar a responsabilidade de mudar. Mas enquanto estivermos nos justificando, estamos na verdade jogando a culpa ou a responsabilidade de nossas ações em Deus, quando dizemos, por exemplo, “a tentação era maior que eu pudesse suportar” ou “o diabo me forçou a pecar”.

Em outras palavras, o que estamos dizendo é que o diabo nos forçou a fazer algo porque Deus não nos deu poder suficiente sobre todo o poder do inimigo. Ou que a tentação foi mais do que podíamos suportar porque 1 Coríntios 10:13 não se aplica ao nosso caso – Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele mesmo lhes providenciará um escape, para que o possam suportar.

Há muitos anos, houve uma época em que parei de orar. É claro que culpei o diabo, a minha agenda, ou inventei alguma outra desculpa. E que ninguém ousasse sugerir que EU era quem havia decidido parar de orar. O que aconteceu foi que naquele momento no meu ministério, às vezes 2 mil pessoas eram salvas ou cheias com o Espírito Santo em um período de três meses. Como o diabo não queria isso, enviou um “mensageiro de Satanás” para me atormentar. Acredito que ele tenha sido equivalente a um príncipe das trevas e parecia que tinha poder suficiente para por uma pessoa no hospício.

De repente, todo seu poder e tormento parecia estar alojado na minha mente como um furacão. Eu senti que a única forma de alívio era ver bastante televisão, não orar ou ler a Palavra e fazer bastantes atividades. Mais tarde, quando finalmente venci esse ataque embora ainda não entendesse exatamente o que havia acontecido, uma das minhas falas preferidas era: “O diabo me fez parar de orar por um tempo” e “o diabo me forçou” até que Deus disse, “Não, o diabo não fez você parar de orar. VOCÊ decidiu parar de orar e enquanto continuar inventando desculpas, com certeza isso vai acontecer de novo”.

Deus queria que eu parasse de justificar as áreas da minha vida que precisavam de mudança e por mais que eu ferisse meu orgulho, precisava admitir que o diabo não podia me forçar a fazer nada que eu não quisesse fazer.

Quando me pus diante de Deus e confessei meus pecados, Seu poder começou a me lavar de toda injustiça. Senti que ajustes estavam sendo feitos, dando-me força para cumprir a Sua vontade como nunca. A coisa mais difícil que tive que dizer a Deus foi, “É verdade, eu não precisava ter me ocupado com a televisão e outras distrações durante aquele ataque do diabo contra a minha mente e emoções. E quando eu tinha dezessete anos, eu não tinha que ter me afastado de Você. Eu poderia ter me aproximado de Você”. Quando parei de me justificar ou inventar desculpas, Deus disponibilizou Seu poder. Ele precisava da entrega da minha alma para me levar ao melhor que Ele tinha para mim.

Deus é tão fiel. Tudo que Ele quer é que sejamos responsáveis e abertos aos Seus ensinos. É nesse lugar que podemos trocar nossas fraquezas pela Sua força. Quando somos honestos conosco mesmos e com Ele, nós O liberamos para mover por nós a fim de que cresçamos em nosso relacionamento com Ele.

Espero que esse ensino tenha ajudado você e o encorajado a olhar para sua vida através do amor e da verdadeira graça de Deus – uma graça que nos liberta para crescer Nele, liberando-O para mover livremente em nossas vidas.

Seu colaborador,

Dave Roberson

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