DAVE  ROBERSON

Outubro – 2015

Querido Amigo,

 

Estou no ministério já faz muito tempo e ao longo dos anos, o Senhor nunca deixa de me surpreender com Seu amor por nós. A cada dia que passa sou mais agradecido pela sabedoria incrível que Ele demonstrou quando redimiu a humanidade de um destino certo ao inferno.

 

Quero que você entenda o quanto você vale para Deus. O custo da sua possibilidade de escolha de ir para o Céu ou inferno foi mais alto do que você pode imaginar. Veja, Satanás pensou que a maldição da humanidade à destruição eterna era certa. Só teve um problema que ele não pode prever – JESUS.

 

Deus demonstrou muita sabedoria para libertar Sua criação e nos dar o direito de escolher a salvação. Seu plano de redenção foi uma obra genial, pois contornou todas as estratégias de Satanás. Antes da Cruz, o mundo inteiro vivia em pecado por causa da transgressão de um homem, Adão. Através dele, o pecado e a morte entraram no mundo, mas Deus proveu uma saída para a humanidade!

 

Até o momento da Cruz, o melhor que Deus podia fazer pelo crente do Antigo Testamento era cobrir seus pecados. O mundo inteiro estava cheio de homens mortos espiritualmente e não regenerados, cujos pecados só podiam ser cobertos – não eliminados – através de sua fé em Deus. Mas quando Jesus morreu e ressuscitou, o crente passou a ser uma NOVA CRIATURA através da ressurreição de Jesus Cristo.

 

Paulo se refere a essa condição do homem no Antigo Testamento em Romanos 3:9,10:

            Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que,             tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado,

            como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. 

 

Quando Paulo disse, Não há um justo sequer, ele estava se referindo ao fato de que seja judeu ou gentio, nenhuma pessoa antes da Cruz tinha uma nova natureza livre do pecado. Os pecados das pessoas só podiam ser cobertos, não eliminados, pelo sangue do sacrifício de animais.

 

Então, Deus começou a revelar o Seu plano de redenção, levando a raça humana à Cruz. Ele escolheu dar a Lei a uma nação: Israel, a poderosa nação que se levantou a partir da semente de Abraão.

 

Contudo, muitos de nós deixamos de entender que quando Deus deu a Lei à Israel, Ele o fez sabendo que não podiam segui-la. Aliás, Paulo descreveu em Romanos 7 o conflito causado quando a natureza pecadora de um homem debaixo da Lei tentava guardar os mandamentos de Deus.

 

Mas se Deus sabia que Israel não podia seguir a Lei, por que lhes deu a Lei? A resposta é: Para que Deus pudesse julgar o mundo, Ele precisava ter um parâmetro. Portanto, deu a Israel a Lei como um parâmetro de julgamento.

 

Vejamos Romanos 3 novamente, versículos 19 e 20:

            Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca             esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.

            Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o             conhecimento do pecado.

 

Isso quer dizer que Deus usou a Lei e seus mandamentos para expor a natureza não regenerada do homem decaído. Ele escolheu a nação de Israel para dar a Lei, sabendo totalmente que o povo não poderia seguir a Lei. Ao fazer isso, Deus usou aquela nação como parâmetro para declarar o mundo inteiro culpado do pecado. E uma vez que toda a humanidade foi declarada culpada, o julgamento do mundo pode ser lançado sobre Jesus.

 

Para entendermos o quão livres estamos do pecado através do sangue de Jesus, precisamos entender 3 pontos:

  1. O grande conflito que aconteceu dentro da natureza pecadora do homem decaído quando ele tentava seguir a Lei de Deus.
  2. Os mandamentos de Deus contra o pecado.
  3. A mudança radical de alianças que aconteceu entre Romanos 7 e 8. Essa mudança libertou o homem do seu estado decaído, levando-o ao renascimento espiritual, onde passa a ser totalmente livre do pecado.

 

Por muito tempo, tive dúvidas quanto ao capítulo 7 de Romanos. Eu não sabia se Paulo estava falando de um homem não regenerado que não conseguia seguir a Lei debaixo do Antigo Testamento ou de um crente que estava tendo dificuldades com sua carne no Novo Testamento. Uma das razões da minha confusão eram alguns amigos pregadores, a quem eu respeitava muito, que achavam que Paulo estava se referindo aos crentes. O Espírito Santo teve que me revelar a verdade sobre o livro de Romanos quanto ao poder de Deus e a libertação do pecado.

 

Depois entendi que o apóstolo Paulo estava falando sobre a condição espiritual de um homem não regenerado debaixo da Antiga Aliança que, por causa de sua natureza pecadora, era incapaz de seguir os mandamentos da Lei. Esse homem queria seguir a Lei, mas não conseguia. Ele estava morto espiritualmente e, portanto, não tinha outra escolha senão pecar. A natureza do seu espírito ERA o pecado e o pecado não pode fazer ou ser qualquer outra coisa sem ser pecado! É por isso que Romanos 7:7 diz, Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.

 

            Note que esse homem não saberia que a concupiscência é pecado se a Lei não dissesse, “Não cobice”. Ou seja, um homem morto espiritualmente tem uma natureza que só conhece o pecado. Ele não conhece nada além do pecado, então não tem como saber que desejar as coisas da carne é inaceitável a menos que alguém lhe diga que é pecado – porque através da lei vem o conhecimento do pecado (Romanos 3:20).

 

Nesta epístola, Paulo diz que porque o pecado é parte da natureza não regenerada de um homem, algo precisava ser feito para expor essa natureza. A única forma de fazer isso era dar à natureza pecadora um mandamento que ela não podia seguir, como “Não cobice, não minta, não calunie”. Assim, a Lei se tornou um professor que expôs o pecado e mostrou ao homem não regenerado que ele precisava de um Salvador – o Senhor Jesus Cristo.

 

Em Romanos 8:1, Paulo diz, Portanto, agora, nenhuma condenação  para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Toda vez que você vir a expressão “Segundo a carne”, saiba que Paulo estava se referindo à natureza pecadora de um homem não salvo que não pode seguir a Lei. Isso significa que ele está morto espiritualmente e, portanto, as pressões e motivações da natureza pecadora, como o desejo e rebeldia, forçam-no a seguir a carne em vez de seguir os mandamentos da Lei. É isso que Romanos 7:23 também descreve: Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.

 

Contudo, como já nascemos de novo e recebemos a natureza de Cristo, estamos completamente livres da escravidão de Romanos 7:23 e agora Romanos 8:1 se aplica a nós! Portanto, agora, nenhuma condenação  para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.

 

A palavra condenação nesse versículo se refere a “uma sentença de condenação”, como a que um juiz dá a um homem culpado de um crime. Mas graças a Deus pela vinda de Jesus à terra como nosso Substituto! Ele levou a penalidade do nosso pecado e foi condenado à morte em nosso lugar. E porque O aceitamos como nosso Salvador, Ele nos livrou do pecado.

 

Agora o pecado perdeu seu poder de trazer qualquer sentença condenadora contra nós. Não podemos ser forçados a fazer o que não queremos. É isso que Paulo quis dizer em Romanos 8:1. Já que fomos crucificados – julgados e mortificados – em Cristo, a carne perdeu seu poder de nos forçar a pecar se não quisermos. A morte e ressurreição de Jesus nos libertou!

 

            Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. (Romanos 6:14)

 

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres. (João 8:36)

 

Podemos tentar inventar desculpas, como “O diabo me forçou” ou “A tentação foi maior que eu”, mas essas desculpas não são nada para Deus. Precisamos nos responsabilizar por nossos atos e aceitar que Jesus Cristo nos libertou do pecado. Precisamos declarar, “Nem a carne, nem o diabo, nem o mundo podem me forçar a fazer o que não quero! A graça de Deus É suficiente”. Enquanto não andarmos e acreditarmos nessa verdade, impediremos o Espírito Santo de nos ajudar nas áreas fracas de nossa vida.

 

Deixe-me aproveitar e alertá-lo quanto a alguns enganos sobre a graça de Deus. Antes de Jesus ir à Cruz, não importava o quanto um homem tentasse, ele não era capaz de se livrar do pecado sozinho. Ele simplesmente não tinha essa capacidade. Foi por isso que Deus veio e fez o impossível.

 

Assim que nascemos de novo, Deus nos livrou completamente do poder do pecado, livrando-nos da natureza do pecado que nos prendia. Foi um ato de graça – um favor que não podia ser merecido de Deus – libertar-nos DO pecado, não permitindo que PECÁSSEMOS. É o poder de Deus em nós que respalda a nossa nova natureza para que possamos viver livres do pecado e superarmos os desejos da carne.

 

Alguns crentes, contudo, ainda dizem, “Sou um ser humano fraco, cheio de problemas, mas Deus conhece minhas fraquezas. Quando Ele estiver pronto para me libertar do pecado, eu vou parar de pecar. Mas, enquanto isso, vou continuar vivendo uma vida ímpia apesar de dizer que sou um crente que vai para o Céu. Posso fazer isso porque a graça de Deus é o suficiente”.

 

Quando alguém segue essa mentalidade, ela destrói todo o propósito do Evangelho, que é nos libertar do pecado através da nova natureza. Romanos 7 nos diz que Deus deu a Lei ao homem não regenerado, sabendo que ele não podia segui-la. Mas no capítulo 8, descobrimos que quando um homem nasce de novo, a justiça da Lei passa a fazer parte dele porque ele não anda mais na carne debaixo da Lei, mas no espírito debaixo da graça.

 

Pense nisso: se a graça não nos libertou DO pecado, mas nos deu uma “cobertura” PARA o pecado, por que Deus perderia seu tempo levando-nos de Romanos 7 a Romanos 8? Deus quer que entendamos que Ele já proveu tudo o que precisamos para andarmos livres. A maioria de nós entende isso em teoria, mas quando entendemos essa verdade a ponto de parar de criar desculpas e nos tornamos responsáveis por nossas ações e formas erradas de crer, Seu poder pode ser liberado em outro nível em nossas vidas.

 

A razão do novo nascimento é nos livrar de nossa natureza pecadora para que posamos conhecer o que nos foi dado gratuitamente por nosso Deus Pai (1 Coríntios 2:12). A primeira coisa que a nova natureza faz é iluminar nossa consciência ao fato de que fomos libertos do pecado.

 

Assim, ninguém pode dizer que estava desavisado ou usar a “graça” como uma razão para não ser julgado pelo pecado. Ambas justificativas vão contra o principal objetivo do novo nascimento.

 

Um dos dias mais memoráveis de comunhão e poder que tive com meu Pai foi quando Ele me levou a ser responsável pelas áreas da minha vida que eu vinha tentando justificar. Ele me fez reconhecer as trevas da minha vida para poder me perdoar e me lavar de toda a impiedade. Enquanto eu orava em línguas, adorava, meditava na Palavra e separava um tempo para o jejum, o Espírito Santo substituiu aquelas áreas da minha vida com Sua força e poder no meu homem interior.

 

A graça de Deus É suficiente para nos fortalecer nos momentos de fraqueza, mas de forma alguma ela funciona como uma cobertura para o pecado. Na medida em que nos entregamos ao Espírito Santo, Ele nos leva a sermos responsáveis, mas precisamos nos lembrar de que a intenção do Pai é sempre nos edificar, fortalecer e fazer com que os frutos da justiça sejam manifestados em nossa vida.

 

Deus faz de tudo por uma pessoa que precisa ser restaurada, mas ela precisa escolher a verdade acima da mentira e desculpas – ou seja, ela precisa estar disposta a passar pelo processo de transformação. Se existem áreas da sua vida onde você ainda tem dificuldade para andar livre, por favor, não se sinta condenado. Atingir a verdade de quem você é em Cristo é um processo de aprendizado a se livrar do homem velho e se vestir do novo através de momentos de comunhão com o Senhor e renovação da sua mente com a Sua Palavra. Apenas não aceite desistir de buscá-Lo, continue em comunhão com Ele, obedecendo à Sua voz e a liderança de Sua natureza dentro de você que você chegará lá.

 

Você não está sozinho e suas dificuldades não são maiores que você. Deus está com você com Sua graça – Sua força – na medida em que você continua a buscá-Lo e andar na liberdade. Seu Pai ama você tanto assim!

 

 

 

Seu colaborador,

Dave Roberson

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